A história de Abraão continua a inspirar reflexões repletas de ensinamentos e orientações úteis aos homens do mundo inteiro. Por mais que se desenvolvam meditações, por mais que se retirem pensamentos da história desse patriarca, sempre há algo novo a se descobrir. E todos podem lucrar com tais reflexões, independentemente de ter fé ou não.

Uma das leituras mais fecundas é o dia do sacrifício de Isaac. É preciso sempre relembrar que Isaac era o filho da promessa, o filho único. Ele reunia a esperança abraâmica de ter uma descendência numerosa “como as estrelas do céu” (Gn 22, 7). Naquele menino, Abraão reconhecia a tensão entre algo de maravilhoso, o milagre da geração da vida, e o maior dos desafios, o assassinato do próprio filho.

Ao colocar Isaac sobre o altar, ao levantar o cutelo para desferir o golpe derradeiro, o Anjo do Senhor intervém e diz que Abraão deveria suspender o sacrifício pois não havia recusado seu filho único: “Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único” (Gn 22, 12). Ocorre, contudo, que a oferta não tinha sido realizada ainda. Isaac ainda está vivo. A oferenda não foi imolada, como ordenara Deus. Que ensinamentos se escondem sob esse episódio misterioso?

Parece que uma constante brota dessa página bíblica: a noção de obediência. A revelação aponta para o cumprimento da vontade de Deus no interior de cada fiel. O escritor sagrado está dizendo que a obediência às palavras de Deus acontece, antes do mais, no coração do homem e que, ocorrida essa adesão íntima, o cumprimento exterior pode ser suspenso. De outro modo: ao aceitar matar Isaac no seu coração de pai, Abraão realizou o sacrifício agradável, que é não ter outro consolo ou abrigo que não Deus mesmo. Ao aceitar matar Isaac e ofertá-lo a Deus, é como se Isaac morto estivesse e, portanto, sua oferta foi aceita. O bem desejado, se realmente desejado com a intenção de realizá-lo, é aceito por Deus como se realizado fosse.

E aqui encontra-se a ponte para a relação entre infidelidade e pornografia: se o bem desejado é já um bem relativamente realizado, igualmente o mal desejado também é já um mal relativamente realizado. Por isso, na sua sabedoria infinita, Nosso Senhor adverte aqueles que querem ser perfeitos: quem deseja o cônjuge do próximo no seu coração, já adulterou com ele (cf. Mt 5, 28). Ora, a pornografia é um modo de ser infiel (muitas vezes não só com pensamentos), pois deseja no seu coração a mulher ou o homem do próximo. Só isso deveria ser suficiente para que a pornografia deixasse de existir entre católicos, visto ser um ato de infidelidade, uma ferida aberta contra a unidade do matrimônio. Mas há outras razões e motivos para afastar-se desse hábito tão nefasto para as famílias e tão destruidor das pessoas.

Estudos recentes variam suas porcentagens da taxa de falência entre matrimônios, uns falam de 11%[1], outros de 30%[2], e até de 56% entre cristãos[3], mas fica evidente que  muitos relacionamentos se dissolvem por causa da pornografia. De certo modo, o senso comum já denuncia a qualquer pessoa sensata que o uso de material pornográfico promove uma ferida na unidade do vínculo matrimonial: segurança emocional, saúde física e psicológica, intimidade do casal, amor e promessas traídos. Todos esses fatos colocam a pornografia no centro do furacão que arrasta matrimônios, destruindo esperanças, massacrando expectativas, solapando o sonho de homens e mulheres no mundo inteiro. Se você conhece alguém se sofre sob as cadeias da pornografia, ajude-o a dar o primeiro passo para libertar-se, para voltar a ser livre novamente.


[1] MCCAULEY,Elizabeth. Beginning pornography use associated with increase in probability of divorce.
[2] KOMARCHESQUI, Bruna.  Onda de mortes de atrizes alerta para a desumanização da indústria pornográfica“. Gazeta do Povo.
[3] 10 razões pelas quais a pornografia destrói o casamento. Revista Sempre Família.

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