Foto: Vatican News

Cristiane Murray – Cidade do Vaticano – Em 2017, 71 pessoas foram assassinadas no território brasileiro em conflitos ligados à posse da terra e ao uso da água. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), organismo da Igreja Católica que acompanha os atingidos e recolhe os dados desta violência, divulgou na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), segunda-feira (04/06) seu relatório anual.

71 assassinatos e 5 massacres em um ano

Os números revelam que 2017 registrou o maior número de assassinatos em conflitos no campo dos últimos 14 anos, contabilizando 5 episódios qualificados como ‘massacres’, ou seja, quando em um conflito, no mesmo dia, são assassinadas três ou mais pessoas. E no entender CPT, o que assusta é identificar o “grau de brutalidade e crueldade que os acompanharam”.

Além do aumento no número de mortes, aumentou também a violência generalizada: tentativas de assassinatos subiram 63% e ameaças de morte 13%. 2017 foi o ano com o maior número de conflitos pela água desde quando, em 2002, a CPT passou a fazer o registro destes conflitos em separado.

Segundo o Presidente da CPT, Dom André de Witte, o bispo de Rui Barbosa , o crescente número de assassinatos revela duas causas principais: “A primeira é o aumento da mentalidade de ódio, de incompreensão; a falta de entendimento e os interesses opostos dos habitantes das áreas rurais” , consequência de “uma divisão política partidária que influencia a luta pelos direitos de indígenas, quilombolas, ribeirinhos e povos tradicionais que moram nas terras”. Dom André explica que “esta luta é necessária porque os direitos destes povos, como a demarcação das terras, não são respeitados”.

Outro fator, ainda de acordo com o bispo, é a impunidade. “São realmente poucos os processos em que os réus são condenados”, afirma, citando como exemplo a recente libertação do assassino da Irmã Dorothy Stang.

Fonte: Vatican News

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