Imagem de Karen Warfel por Pixabay

Santo Ambrósio diz que a pureza nos eleva até ao céu e nos faz deixar a Terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela eleva-nos por sobre a criatura corrompida e, pelos seus sentimentos e desejos, faz-nos viver da mesma vida dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade de uma alma é de um preço aos olhos de Deus maior do que a dos anjos, pois os cristãos só podem adquirir esta virtude pelo combate, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo.

São Cipriano acrescenta que a castidade nos torna apenas semelhantes aos anjos mas dá-nos ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele olha-a, considera-a como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objeto das suas mais caras complacências, e fixa nela a sua morada para sempre. “Bem-aventurados”, diz-nos o Salvador, “os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”.

Segundo São Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, e irá praticá-las com uma grande facilidade, “porque para ser casto é preciso impor-se muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência. Mas uma vez que se alcançou tais vitórias sobre o demônio, a carne e o sangue, todo o resto lhe custará muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude”.

Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós vêmo-los reservados nas suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios nas suas refeições, respeitosos nos lugares santos e edificantes em toda a sua conduta.

Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar o seu coração puro, aos lírios que se elevam diretamente ao céu e que difundem ao seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam… Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

Trecho do Sermão de São João Maria Vianney sobre a Pureza

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